Aquecimento | Segunda temporada de The Voice Brasil

É hora para The Voice Brasil voltar à programação da Globo, meus caros!

Depois de uma primeira temporada que terminou com a vitória da inacreditável Ellen Oléria (Team Brown) sobre as também excelentes Liah Soares (Team Daniel), Ju Moraes (Team Claúdia) e Maria Christina (Team Lulu), a segunda temporada estreia em breve e promete!

O melhor formato de um reality show chegou ao Brasil em 2012, depois de Ídolos (falta um X Factor BR, não é?), e retorna na próxima quinta-feira, dia 3 de outubro, em horário nobre (depois da novela das 20h, que começa às 21h).

Se você é daqueles que, como eu, achava que uma das grandes vantagens do reality era ter surgido como uma boa opção para as tardes de domingo da TV aberta (antes um horário muito ruim) e ainda não se conformou com a mudança de horário, a explicação é a de ocupar um horário nobre e alavancar a audiência. Tomara que dê certo, não?

A temporada de estreia teve seus altos e seus baixos. Infelizmente, mais baixos do que altos, o que não nos desanima de assistir à segunda temporada porque somos brasileiros e não desistimos nunca! Só de ser um formato tão interessante e só de significar mais música na TV brasileira, já é válido.

Um dos pontos fracos da primeira temporada foram o cast: os coaches e o apresentador foram muito mal. Tiago Leifert, que surgiu humilde e como boa revelação no quadro de esportes da Globo, cresceu meteoricamente e, talvez por isso, não conseguiu trazer o que tem de melhor para o programa, soando muitas vezes antipático e forçado.

Aliás, coach ou mentor é uma palavra totalmente útil em The Voice, mas não na versão brasileira. Aqui, os coaches são na verdade, meros jurados, já que participam muito pouco do conteúdo artístico das performances de seus pupilos, que é de responsabilidade de um staff específico. Para quem está acostumado a ver Blake Shelton, Adam Levine, Christina Aguilera, Cee Lo, Usher, Ricky Martin, Seal, Jessie J e Shakira (entre outros) dando seus pitacos e participando ativamente, se decepciona.

Sobre os jurados, a maior decepção foi Lulu Santos. Sem dúvidas, um dos ícones da nossa música e com uma carreira bastante sólida (e com justiça). Gosto muito de Lulu como músico, mas sua participação como coach foi patética: chato, egocêntrico e prepotente, Lulu fez o que pode e o que não pode para eliminar os candidatos que menos gostava e levasse seus preferidos (inclusive sua mini-versão, Gabriel Levan) à final. No fim, suas armações falharam, ele foi vencido pelo público e sua finalista foi Maria Christina.

Carlinhos Brown é outro ponto bastante negativo no staff. Outra vez, reconheço seu talento como músico (embora não esteja tão convencido do seu talento como cantor), mas Brown só conseguiu se salvar por reunir os melhores talentos e uma equipe excelente (que o levou a vencer). Por outro lado, seus momentos de gracejos forçados e que, ironicamente, não tinham a menor graça, eram irritantes e dispensáveis. Mais floop que a caxirola!

Daniel não merecia ser nem citado nessa coluna, porque foi tão apático e pouco participativo no programa que praticamente se anulou. Não é engraçado e é extremamente clichê, com frases como ‘vou seguir meu coração’ e por aí vai.

Cláudia Leitte, com quem eu tinha mais ressalvas no início, é que teve a melhor participação no programa. Ela e seu staff trabalharam bem com seus artistas, escolhiam ótimas músicas (exceto quando ela escolhia músicas próprias, como Famosa) e era Cláudia quem tinha os comentários menos piores. NUNCA SERÁ Christina Aguilera, Jessie J, Shakira ou Delta Goodrem, mas pelo menos razoável foi.

Faltou competitividade, humor, crítica construtiva, criatividade e dinamismo na bancada. Eu, sinceramente, trocaria toda a bancada. Luiza Possi e Rogério Flausino, que participaram como auxiliares, mereciam ocupar as vagas de Lulu e Cláudia, por exemplo. A participação de Luiza em Ídolos é elogiável!

Paula Toller, Fernanda Takai, Leonardo ou outro sertanejo (como alguém da dupla Victor e Léo), Ivete Sangalo (SONHO!), alguém do pagode (Alexandre Pires!), Jorge Vercillo, Di Ferrero e muitos outras opções poderiam ser tentadas, mas ficaremos coma bancada original para a próxima temporada também!

A produção também deixou a desejar, mesmo comandada por J. B. Oliveira, popularmente conhecido por Boninho: cenário muito pobre e produções que não superam nem mesmo as de Fama, de décadas atrás. Não é que exijamos uma produção ou glamour das versões americana, australiana e britânica (ou sim), só gostaríamos de mais investimento e carinho.

Como bem lembrado por Poli Mendes (colega colaboradora do blog também!), outro aspecto negativo é a não disponibilização dos vídeos no YouTube, apenas no canal oficial do programa, na Globo.com. O YouTube é um canal muito melhor, a divulgação é muito mais fácil e maior, é algo a ser considerado.

Mas, há o que ser elogiado também: o nível muito bom dos participantes e uma variedade enorme de estilos, que DEVE acontecer, principalmente em um país tão grande e culturalmente miscigenado como o nosso. Teve sertanejo, teve pop, teve MPB, teve samba, teve rock, teve funk, teve axé, teve pagode, teve música internacional.

Então, para estimular quem se decepcionou com a primeira temporada (e com o texto até aqui HAHAHA) e quem não a viu a continuarem a assistir, vão aqui 10 motivos para dar outra chance a The Voice Brasil:

10. Mira Callado (Team Brown)

Desde sua audição, com Na Estrada (Marisa Monte), Mira mostrou que era alguém que deveríamos prestar atenção e virou as 4 cadeiras dos coaches. No Team Brown, as boas performances continuaram, vencendo um bom duelo contra Júnior Meirelles, cantando de Luciana Mello a Roberto Carlos, passando por Rita Lee. Só que, em uma equipe muito forte, terminou em terceiro lugar no Team Brown. Minha performance preferida dela é Simples Desejo, de Luciana Mello.

9. Ana Rafaela (Team Claúdia)

Ana tinha uma voz doce e bem marcante, impossível não se deliciar ouvindo-a cantar. Cantou Ainda Bem, também de Marisa Monte, mas somente Cláudia Leitte se virou. Depois, foi obrigada a cantar Famo$a, de Cláudia nas Battles, mas se superou em seguida, com boas performances (de Maria Gadu e Ivete a Regina Spektor). Também foi a terceira de sua equipe e vale a pena escutá-la cantando Não Precisa Mudar (Ivete Sangalo).

8. Késia Estácio (Team Lulu)

A melhor voz do Team Lulu, Késia merecia ter chegado à final, mas Lulu apostou em Maria Christina porque ela tinha mais chances de vencer. Késia brilhava semana após semana cantando e por sua beleza e presença de palco impressionantes. Cantou Como Vai Você, de Roberto Carlos nas audições, encantou aos 4 coaches e seguiu bem, cantando O Rappa, Tim Maia, Preta Gil e até Beyoncé, sempre muito bem. Da semifinalista do Team Lulu, Um Dia de Domingo (Tim Maia), é obra-prima.

7. Dani Morais

Eu sou fã de Dani desde sua participação em Ídolos, por sua versatilidade e a energia que transmite em suas performances. Mineirinha, cantou Flores, de Ivete Sangalo, nas audições, mas só conquistou Daniel e já no finzinho. Nas Battles, foi derrotada por uma das favoritas no melhor dueto da temporada, foi salva por Brown e poderia ter ido mais longe, mas esbarrou em escolhas ruins de música. Deem uma olhada em Fato Consumado, de Djavan (junto com Alma Thomas), clicando aqui.

6. Thalita Pertuzzatti

A cantora gospel, que já havia se destacado no programa de calouros de Raul Gil, Thalita tem uma voz linda e encantadora e sempre canta com se fossem os últimos minutos de sua vida. Performances muito emocionantes, desde quando cantou Força Estranha (Caetano Veloso), seguida por Roberto Carlos, Ana Carolina, Lenine, que lhe rendeu o cargo de semifinalista do Team Cláudia. Falando Sério, de Roberto Carlos, é uma das melhores apresentações da temporada, clicando aqui.

5. Ludmilah Anjos

Ai, como eu amo Ludmilah Anjos. Ela era, como ela mesmo se definia, BABADO, CONFUSÃO E GRITARIA. Performances divertidas, empolgantes e contagiantes, um carisma enorme e PÁ! ADORAVA! Desde Vapor Barato (O Rappa), passando por uma Battle muito divertida contra Karol Cândido, Ludmilah foi crescendo e conquistando o público, terminando como semifinalista (eliminada pela vencedora). Cantou Sandra de Sá, Rosana, Daniela Mercury, mas nada melhor que Meu Corpo Quer Você, de Naldo, clicando aqui.

4. Alma Thomas

A americana mais abrasileirada que já conhecemos. Afinal, se o normal é nossos cantores se rendendo às músicas de fora, Alma fez o caminho oposto e mostrar que nossa música é ótima também. Começou com Someone Like You, onde todos a quiseram. Fez a melhor Battle da temporada com Dani, cantou Arlindo Cruz, Thiaguinho e ninguém compreendeu bem sua eliminação precoce. Será Que É Amor (Arlindo Cruz) foi ótimo e você pode ver aqui.

3. Ju Moraes

Ai, Ju! Ju foi amor à primeira vista e posso dizer que era minha favorita na competição. Eu amava absolutamente tudo o que ela fazia, desde Amada (Vanessa da Matta) nas audições. As melhores performances da temporada, para mim, foram dela: de Novos Baianos e Zeca Pagodinho a Caetano Veloso, Simonal e Jorge Ben Jor, sempre com sua beleza estonteante e sua voz incrível. Vale a pena rever Sá Marina (Wilson Simonal) quantas vezes puder! Foi finalista, mostrando que seu talento foi reconhecido pelo público.

2. Liah Soares

Quando apareceu cantando As Rosas Não Falam, de Cartola, fazendo com que todos os coaches brigassem desesperadamente por ela, todos já sabiam que Liah iria longe. Sua voz deliciosa, o violão que sempre a acompanhava e seu toque especial nos arranjos de músicas tradicionais (Legião Urbana, Luiz Gonzaga, Engenheiros do Hawaii, Roberto Carlos e Raul Seixas). Uma excelente Battle contra Luana Mallet, cantando Coisas Que Eu Sei (Danni Carlos). Melhor performance? Asa Branca (Luiz Gonzaga), com certeza!

1. Ellen Oléria

Nada mais justo que apontar a vencedora da primeira temporada em nosso ranking. Ellen É simplesmente SENSACIONAL, tem uma voz incomparável e muito mas muito talento mesmo. Já se colocou como favorita desde Zumbi, de Jorge Ben Jor e foi se consolidando com Clara Nunes, Paulinho Moska, Milton Nascimento, Lenine, Alceu Valença e Jorge Ben Jor. Quando cantou Anunciação (de Alceu Valença), se restavam dúvidas de que Ellen venceria, acabaram aí.

Menções honrosas:

Karol Cândido (Team Brown): trabalhou com Latino, participou de um reality na Band em seguida (com Rick Bonadio) e agora se aventura no funk melody, patrocinada por Valesca Popozuda (mas é outro estilo de funk, hein?). Boa participação, mas eliminada muito cedo.

Marquinhos OSócio (Team Lulu): excelente cantor, meio soul, meio samba. Uma voz para ser apreciada e boa presença de palco.

Bella Stone (Team Claúdia): um tom de voz único e bem difícil de encontrarmos, vale a pena procurar.

Danilo Dyba (Team Daniel): simpático e muito divertido, uma boa revelação para o quadro do sertanejo universitário no país.

Diego Azevedo (Team Lulu): o melhor cantor entre os homens na minha opinião, eliminado injustamente nas Battles, mesmo após ter feito uma performance muito superior e sua adversária ter errado a letra de uma música muito conhecida do próprio Lulu. Vai entender!

Outros: Lorena Lessa, Maria Christina e Luana Mallet (Team Lulu); Carol Marques (Team Daniel); Sandra Honda (Team Cláudia) e Quésia Luz e Karla da Silva (Team Brown).

Motivos bons não faltam, não é? Resta-nos torcer por uma melhor participação dos coaches e do apresentador Tiago, por uma Boninho mais inspirado do que em BBB e para que o nível dos cantores se mantenha tão alto.

Então já sabem: na próxima quinta, depois da novela Amor à Vida, vamos todos acompanhar a restreeia de The Voice Brasil na Globo. Nós, do Manicômio, vamos cobrir e esperamos contar com todos vocês aqui em nossas reviews.

Até breve!

Gosto de escrever nas horas vagas e assistir séries é meu hobbie predileto, então ser reviewer é o maior dos prazeres. Fã de música e reality show. Vocês vão me encontrar nas reviews de The Voice (Brasil, US, UK e AU), X Factor AU, 2 Broke Girls, Survivor, Chasing Life e na coluna Por Onde Anda, sempre aqui nesse Manicômio !