Até Que A Sorte Nos Separe 2

0 191

Até Que A Sorte Nos Separe” foi sucesso de público. O filme lançado em 2012 trouxe mais de 3 milhões de espectadores para os cinemas. O sucesso foi tanto que os produtores acharam por bem fazer uma sequência e lançar no ano seguinte. Talvez pela pressa em lançar a sequência, “Até Que A Sorte Nos Separe 2” é um requentado do filme anterior, com a mudança apenas da atriz e de cenário.

Na sequência do filme, o casal Tino e Jane começam o filme falidos. Porém, Olavinho, o tio rico de Jane, morre e deixa uma herança milionária para o casal, com a condição de que suas cinzas sejam jogadas no Grand Canyon por uma pessoa que o tenha verdadeiramente amado. Assim, o casal viaja com seus dois filhos para Las Vegas, onde Tino perderá todo o dinheiro.

O filme resolve bem um dos problemas principais: a mudança de atrizes. Jane foi interpretada por Danielle Winits no primeiro filme, mas como ela não pôde filmar, Camila Morgado vestiu a camisa e entrou em campo. Essa substituição foi realmente uma adição ao filme. O filme começa fazendo uma piada da substituição que, pode até não ser das melhores piadas, mas é muito melhor do que seria se eles simplesmente tivessem começado o filme sem nenhuma referência à troca.

Las Vegas é realmente um cenário que combina com o mote dos filmes – a ideia de perder e ganhar muito dinheiro da noite para o dia. É uma cidade que combina também com a personalidade dos personagens principais: Tino, por ser um boa vida, e Jane por ser uma deslumbrada com a vida luxuosa. Até aí, nenhum problema, mas precisava mesmo deixar o filme com tanta cara de “Férias Frustradas em Las Vegas”? Até mesmo a piada feita com a troca de atrizes em “Até Que A Sorte” é semelhante à piada que Chevy Chase faz com a troca de atores que fazem seus filhos no filme americano. Claro, “Férias Frustradas” coloca muito mais peso na família do que o filme brasileiro, onde a ação gira em torno do casal e principalmente de Tino. Seja como for, há um quê de filme americano muito forte, como a típica piada do guaxinim que ataca o pai de família em uma determinada situação.

Embora carismático, apostaram pesado demais na atuação de Leandro Hassum, deixando-o caricato. Hassum consegue, entretanto, melhorar a atuação quando se traveste de mulher para interpretar sua própria mãe. Uma pena ter sido tão mal aproveitado. Já a talentosa Camila Morgado não consegue fazer milagre no roteiro fraquinho, mas sua atuação com certeza está melhor do que a de Hassum. Para completar, há também uma participação de Alerte Salles como a mãe de Jane. Mesmo fazendo o clichê de sogra que odeia o genro, ela consegue fazer uma boa atuação, trazendo um pouco de seriedade, o que é um bom descanso das extravagâncias de Hassum em cena. Por fim, Kiko Mascarenhas não recebeu espaço no papel de Amauri nesse segundo filme, servindo apenas como alvo das piadas de Tino.

Ainda no tópico do elenco, há uma participação especial de Jerry Lewis fazendo um papel de mensageiro do hotel, uma referência clara ao seu papel de mensageiro no filme “O Mensageiro Trapalhão”. Além de ser uma lembrança interessante, o uso de Lewis aumenta a veracidade da trama e ajuda a nos transportar, de fato, para o mundo de Vegas.

Os problemas de roteiro continuam e ele peca ao adicionar um elemento completamente desnecessário: o MMA. Para ressaltar a participação de Anderson Silva, a produção se viu em dificuldade para incorporar esse elemento à história. A única solução foi coloca-lo em um sonho de Tino, a prova concreta de que o esporte não cabia de jeito nenhum no filme. Talvez o maior problema do roteiro se dê no desfecho do filme: afinal, devemos seguir os conselhos sóbrios de Amauri e investir nosso dinheiro ou simplesmente confiar na sorte? Obviamente nós sabemos a resposta, mas o filme termina com uma deixa para uma nova sequência, indicando que provavelmente Tino e Jane não aprenderam a lição. Portanto, o filme termina basicamente igual a seu começo.

Apesar da enxurrada de problemas, o filme não é completamente sem graça. Há, sim, algumas cenas engraçadas. Mesmo a caricatura que Hassum desempenha é engraçada na primeira meia hora do filme e, como já disse, a chegada de Alerte é muito bem vinda. Também aprecio a ideia de não fazer um filme que baseie todas as suas piadas em sexo ou escatologia. Porém, de maneira geral, é um filme cansativo, repetitivo e que não consegue se sustentar até o final. Se houver uma terceira sequência, provavelmente eu me separarei desse filme.